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Ucrânia: retrato íntimo de um país desconhecido

TELMO ROMEU *

No contexto de um programa europeu de voluntariado, Telmo Romeu *, Mestrado em Ciências da Comunicação pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa, traz-nos um retrato íntimo, humano, de um país dividido em busca de uma identidade. Um país que, em larga medida, ainda desconhecemos.

De 1 de Junho de 2017 a 31 de janeiro de 2018 vivi em Sumy, na Ucrânia. Durante estes oito meses pertenci à equipa de voluntários locais e internacionais da organização não-governamental Center for Euroinitiatives, integrado no programa de Serviço Voluntário Europeu. Tinha como tarefa principal falar com jovens e crianças em escolas, campos de férias e orfanatos, a maior parte das vezes sobre assuntos relacionados com valores europeus, cultura portuguesa ou direitos humanos. No entanto, tive também oportunidade de brincar, praticar desporto, cantar, desenhar, falar e conhecer pessoas, fossem elas crianças, jovens ou adultos.
Sumy é uma cidade capital de oblast que fica a meia distância entre as duas maiores cidades ucranianas, Kyiv e Kharkiv.

O leste europeu é ainda hoje um espaço alienígena para a maioria da população portuguesa. Devido ao isolacionismo do Estado Novo, metade do século XX foi vivido de costas voltadas para eventos internacionais, longe de disputas orientais e ocidentais. Após a queda do nosso muro, os elementos culturais trazidos de fora provieram maioritariamente dos Estados Unidos da América, de Inglaterra, ou até mesmo de França. Do lado de lá da cortina de ferro chegou apenas algum misticismo político propagado pela comunicação social e ecoado por uma população tradicionalmente conservadora e de direita.

Não é de estranhar, portanto, que muitas das coisas com que me deparei me tenham causado admiração. Não só elementos banais e materiais do dia a dia, como a casa, a cama, a estrada ou a comida, mas também dinâmicas sociais que num contexto normal passam despercebidas, como as relações de trabalho e de amizade, o tempo ou a rotina. Estas diferenças fizeram-me questionar o sentido de identidade daqueles ao meu redor, e, no fim de toda a experiência, também o meu.

Este testemunho é uma coletânea de imagens que fui capturando ao longo dos oito meses do meu voluntariado, como forma de fazer sentido daquilo que me rodeava. É impossível dissociar as imagens do pensamento que corria aquando do disparo da câmara. São reflexões sobre as coisas que me chamaram à atenção, um jovem adulto português durante um SVE em Sumy. São por isso influenciadas pela minha personalidade, pelas paisagens que vi, pelas pessoas que conheci, pelas experiências que atravessei, e pelas impressões que no fim serviram para contemplar e racionalizar esta aventura.

Cidades

Nas cidades coexistem lado a lado construções recentes e antigas, renovadas ou degradadas. Originam-se a partir de um centro antigo, mas frequentemente bem cuidado. Alguns jardins e ruas pedestres circundam igrejas e edifícios que resistiram ao tempo e ainda hoje conservam os seus traços originais. A partir dessa zona espalham-se em todas as direções as principais avenidas, largas e flanqueadas de árvores altas e passeios amplos, já resultado de um planeamento urbano de tempos soviéticos.
Saindo das avenidas principais, a condição das estradas piora substancialmente.

Nas zonas residenciais o alcatrão das ruas encontra-se frequentemente degradado, com gravilha solta a remendar os enormes buracos existentes. Os passeios ficam muitas vezes reduzidos a um caminho de terra batida entre a linha de árvores e as entradas das casas, serpenteando entre as poças de água.

A construção de novos prédios revela por contraste os anos de descuido de manutenção que ocorreram após a queda da União Soviética. Aqui, uma rua em ruínas de Odessa é ponto de passagem habitual para entusiastas de arte urbana. Atrás de edifícios e de um casino abandonado crescem modernos prédios de betão e vidro.

Edifícios

Nas cidades no leste do país ainda prevalecem os tradicionais blocos de apartamentos soviéticos. Vistos de longe parecem simples e grosseiros, um enorme muro de janelas, varandas e paredes copiadas à exaustão a cercar as ruas.

Os mais antigos vão sendo restaurados dentro dos possíveis, com cada habitante a colocar isolamento novo apenas na fachada que corresponde às paredes do seu apartamento. Blocos, tijolos e outros materiais improvisados tapam os buracos das varandas. As tentativas de humanizar a paisagem passam sobretudo pela tinta: pintam os prédios de tonalidades diferentes e dão as cores da bandeira aos lancis dos passeios e aos baloiços dos parques infantis.

Nem só de heranças soviéticas se constroem as cidades ucranianas. No oeste e sul do país existem edifícios remanescentes da pertença a outras culturas, como o Império Austro-Húngaro ou o Reino da Polónia. Existem também construções influenciadas pelas largas comunidades judaicas que na primeira metade do século XX habitavam o país.

Aldeias

As aldeias parecem à primeira vista sítios abandonados. Pelas suas estradas arruinadas encontram-se mais facilmente animais domésticos a vaguear do que pessoas. As garagens de um ou outro habitante servem de lojas – basta um pequeno balcão, um frigorífico para a cerveja, uma arca para os congelados, e uma mesa na rua a servir de esplanada. Os edifícios comunitários são quase inexistentes, e a rede móvel é rudimentar.

Ocasionalmente crescem ao longo de importantes estradas regionais. Caso isso aconteça, os habitantes aproveitam para montar pequenas bancas na berma e vender fruta ou hortaliça aos viajantes.

As aldeias dependem ainda das cidades para subsistirem. Os que lá vivem viajam regularmente nos transportes públicos para venderem os seus produtos nos mercados citadinos, carregando nos pequenos autocarros atafulhados de gente grandes sacos de plástico ou serapilheira com legumes, produtos artesanais e até gaiolas com pequenos animais domésticos.

Natureza

A ligação da população com a natureza é histórica, já que as vastas planícies do país sempre fizeram da agricultura uma das suas principais atividades económicas. Ainda assim, essa faceta verde é transposta também para as cidades, onde as árvores, os parques e os jardins são utilizados para equilibrar a pesada arquitetura soviética. Como a natureza é ainda bastante estimada atualmente, as pessoas juntam-se frequentemente para socializar no seu tempo livre em rios, lagos ou nos pequenos parques existentes nos arredores das cidades.

A poluição nos rios e nos campos é um problema sério para o ambiente, provocada por uma indústria antiquada e pelo insuficiente tratamento de resíduos. Apesar de estar presente na opinião pública, a resolução deste problema tem ficado para segundo plano.

O grande contraste entre as estações do ano faz com que sejam celebradas com grande entusiasmo. A transição de um inverno extenso, severo e gelado para o florescimento durante a primavera influencia profundamente o dia a dia e a disposição das pessoas. Meses mais tarde, o bom tempo do verão culmina num espetáculo visual com a caída das folhas no outono.

Espaço público

Até as mais pequenas cidades ucranianas costumam ter alguns parques públicos. São espaços com campos relvados, caminhos ladeados de árvores, monumentos e quiosques pelo meio. Não é raro terem também uma zona de carrocéis e outras pequenas e antigas atrações para crianças.

Durante os meses quentes estes espaços são muito frequentados, ainda mais quando se encontram junto a algum rio ou lago. No inverno, no entanto, ficam despidos de folhas e de gente, transformando-se num lugar solitário.

Os parques infantis são uma visão bastante comum por todos os bairros residenciais. No entanto, com cada vez menos crianças para neles brincarem, encontram-se muitas vezes abandonados ou com uma utilização diferente daquela para a qual foram criados. Servem de zonas de exercício físico, para passear animais de estimação, ou até mesmo para pendurar e bater tapetes de casa.

Os mercados tradicionais continuam relevantes na altura de as pessoas fazerem as suas compras. Quase todas as cidades têm um edifício comunitário onde se vendem todos os dias da semana produtos frescos como carne, peixe e legumes. No seu exterior expandem-se depois inúmeras pequenas bancas e barracas com roupa, artigos de lar ou de agricultura. Existem também outros mercados mais pequenos espalhados pelas praças da cidade, ou até mesmo ruas onde os vendedores improvisam nos passeios uma montra para os transeuntes.

A publicidade encontra-se espalhada por todos os cantos das cidades. Existem painéis publicitários onde se colocam anúncios de trabalhos, promoções ou ofertas. No entanto, estes anúncios que muitas vezes não passam de folhas brancas com um texto escrito à mão alastram-se para as paredes dos prédios, postes de iluminação e semáforos. Tendo em conta que os anúncios são feitos em maior quantidade do que qualidade, as paredes e placards cobrem-se passado algum tempo num aglomerado de papéis em decomposição.

Transportes

Os transportes privados são um dos sinais mais visíveis da desigualdade de riqueza da população. Enquanto uma privilegiada minoria tem capacidade financeira para adquirir modernos carros importados, a restante maioria da população mantém ainda em circulação os antigos e mais económicos veículos de origem soviética.

Outra alternativa económica passa pelos transportes coletivos. A maioria opera ainda baseada nas Marshrutkas, miniautocarros privados de tradição soviética. Funcionam como um táxi partilhado que segue uma rota pré-designada. O seu custo é acessível: os bilhetes para uma viagem urbana rondam as 5 grívnias, o equivalente a cerca de 16 cêntimos, e mesmo as viagens entre cidades vizinhas custam aproximadamente 1 euro. Ainda que as condições não sejam as mais confortáveis, este meio de transporte permite a uma parte considerável da população viajar regularmente sem viatura privada.

O transporte ferroviário público segue a mesma estratégia de quantidade sobre qualidade. Existem ainda comboios regulares para as cidades mais pequenas através de linhas secundárias, apesar da viagem ser lenta e desconfortável. Já nas viagens de longa distância há maior escolha. Para além dos comboios de alta velocidade que ligam as cidades mais importantes é também possível optar por alternativas mais económicas. Em platzkart, a 3a classe do comboio noturno, é possível fazer os cerca de 475 quilómetros de Kyiv – Odessa por cerca de 7 euros.
Aqui as pessoas partilham um amplo vagão com beliches sem grandes reservas no que toca à sua privacidade. Durante a noite, o comboio vai parando vagarosamente nas cidades a meio da rota, onde vendedores locais negoceiam comida, bebidas ou tabaco com os madrugadores.

Noite

Durante a noite, muito ou quase nada pode acontecer. Com o principal objetivo de vender bebidas alcoólicas e tabaco, bastantes supermercados ficam abertos 24 horas. No entanto, aqueles que se encontram mais afastados das zonas de diversão noturna recebem poucos clientes após o escurecer. Nestes casos os empregados aproveitam a falta de movimento para repor os artigos nas prateleiras. Durante a semana veem-se pessoas com ar pesado ainda de madrugada a caminho do trabalho, ao mesmo tempo que grupos de amigos embriagados acabam de sair em modo festivo de bares ou discotecas.

Também a diversão noturna é um indicador da disparidade de riqueza dos ucranianos. Como uma parte significativa da população não tem rendimentos suficientes para comer e beber fora de casa regularmente, a maioria das discotecas, bares e restaurantes estão orientados para clientes de classe média-alta. São quase sempre estabelecimentos bem cuidados e com decoração a preceito, o que contrasta com as condições habituais de outros espaços públicos.

Durante a noite a escuridão prevalece. As estradas regionais raramente têm luz, e mesmo nas cidades apenas a baixa ou as avenidas principais ficam amplamente iluminadas. Nas restantes ruas existem apenas alguns candeeiros espalhados esporadicamente, muitas vezes com a sua luz afogada entre as folhas da copa das árvores.

Este conforto com a escuridão faz-se também sentir durante o dia. Nos edifícios públicos, como nas escolas, as luzes ligam-se apenas ao anoitecer, pelo que é normal haver salas, corredores e outras divisões sem janelas que ficam às escuras, mesmo servindo de passagem regular a pessoas.

Pessoas

O casamento continua hoje em dia a ser muito relevante e ambicionado pelos jovens adultos. A segurança e estabilidade de uma vida em casal é procurada como contraponto à instabilidade da situação económica, laboral e social do país.

As relações amorosas e os papéis de género seguem valores ainda maioritariamente tradicionais. O homem, como chefe de casa, deve ser forte e agressivo, enquanto a mulher sexualizada e submissa vê na maternidade o seu propósito principal. Ideias feministas ou LGBTQ+ são consideradas demasiado progressivas, exóticas, sendo por vezes até ridiculizadas entre os mais jovens.

Grande parte da região do Donbass, no extremo leste do país, está ainda sobre controlo dos separatistas pró-russos. Com os conflitos, milhares de Ucranianos étnicos tiveram de sair das suas casas e fugir para o ocidente com medo de represálias dos rebeldes.

A tradição soviética atribui uma grande importância ao esforço militar. É frequente ver antigos tanques, peças de artilharia, camiões ou aviões em exibição nas praças das cidades, e mesmo as mais pequenas aldeias contam com um monumento de homenagem aos soldados perdidos nas guerras. O conflito na Crimeia e no leste do país tornou esta retórica novamente significativa, e o exército voltou a ser o organismo mais respeitado e confiado pela sociedade.

O conflito resultou na saída do país da esfera de influência russa e a abertura a ideais europeus. Com isso veio também uma grande incerteza relativamente ao seu futuro. O debate acerca do rumo a seguir tem levantado mais questões do que aquelas às que consegue responder, em grande parte devido à diversidade e dualidade existentes na sociedade: leste e oeste, urbano e rural, os que falam russo ou ucraniano, os ricos e os pobres. Este confronto de ideias, apesar de ter origem política, afeta a vida das pessoas de uma maneira particular e individual. O verdadeiro debate é então um confronto ideológico entre tradição e progresso, entre os que olham para o futuro do país desejando mudança e os que olham para o passado à espera que a antiga glória regresse.

Os jovens, tal como os adultos, influenciam e deixam-se influenciar por esta discussão. Todos eles têm uma maneira de ser e um conjunto de opiniões únicas ao ponto de parecer improvável terem crescido e vivido debaixo da mesma bandeira, com a mesma língua e dentro da mesma cidade durante toda a sua vida. Estes retratos simbolizam toda a diversidade daqueles que olharam para mim, ao longo do meu voluntariado, e que me mostraram aquilo que é ser ucraniano.

É difícil não cair na tentação de comparar e equiparar culturas. Com uma nova experiência vem automaticamente a sua avaliação. Qual a comida mais saborosa, qual os desconhecidos mais acolhedores? É, no entanto, mais importante compreender que as culturas existem por um motivo, de perceber o seu contexto histórico, o que as trouxe àquilo que são hoje em dia por uma questão de necessidade e de evolução, não por uma vontade de competição com as outras.

(Sobre os parques infantis na secção de espaço público) Um aspeto curioso é o facto de os baloiços estarem frequentemente pintados com as cores da bandeira nacional: amarelo e azul. Uma tendência que se estende a outros espaços públicos, como muros, postes de iluminação ou lancis de passeios, é um dos sinais da corrente nacionalista e patriótica que o país tem atravessado desde o início do conflito com os separatistas.

No entanto, tanques de origem russa que alegadamente interferiram no conflito separatista juntam-se agora como objeto inimigo àqueles glorificados como parte da potência soviética durante a Guerra Fria ou a Segunda Guerra Mundial. O hino e as cores da bandeira são uma procura agressiva por essa unificação.

Todos têm uma maneira de ser individual e particular, e por vezes custa mesmo a acreditar que cresceram e viveram debaixo da mesma bandeira, da mesma língua, e na mesma cidade todas as suas vidas. O futuro está nas mãos dos jovens, e estes são alguns retratos daqueles que olharam para mim ao longo do meu voluntariado, que me mostraram aquilo que é ser ucraniano e que simbolizam toda a diversidade que encontrei.

O conflito normalizou a presença militar no seio da população. Em Kharkiv estão ainda erguidos os postos de controlo que asseguraram que a cidade não caia sobre controlo dos separatistas. Existem peditórios regulares para veteranos inválidos. Existem inúmeros migrantes das zonas afetadas à procura de emprego e notícias na televisão que mostram cidades outrora potências industriais agora quase abandonadas. Na mentalidade dos jovens, é até normal ter exercícios militares num campo de férias de verão.

A natureza continua a ser bastante estimada pela população. Historicamente, as vastas planícies do país sempre fizeram da agricultura uma das suas principais atividades económicas. Também as cidades mantêm uma faceta verde bastante visível, com as suas árvores, parques e jardins a equilibrar a pesada arquitetura soviética. Nos tempos livres as pessoas visitam frequentemente o mar, os lagos ou os pequenos parques naturais espalhados pelo meio dos campos agrícolas.

Num país encurralado entre duas esferas de influência opostas, é interessante assistir ao aumento da presença internacional no seu território. A iniciativa até parte da esfera política, uma vez que se exibem agora bandeiras e monumentos alusivos à União Europeia nos espaços públicos. Espalhados por todo o país, mesmo em pequenas localidades com pouco mais de alguns milhares de habitantes, inúmeros voluntários chegam provenientes de diversos programas internacionais, como o Erasmus+, os Peace Corps Americanos, ou o Programa Fullbright. A quantidade de financiamento é abundante, olhando para o exemplo de um intercâmbio organizado pelo governo Alemão onde nenhum dos participantes era cidadão Alemão residente na Alemanha.

Para além dos projetos governamentais, existem também algumas iniciativas privadas; em Sumy existe um grupo de missionários Mórmons americanos que, para além das suas naturais ações de envangelização, organizam outras atividades de cariz cultural e desportivo.
A recetividade da sociedade a esta presença internacional é ambígua. Algumas pessoas valorizam as oportunidades que lhes são oferecidas, principalmente aquelas que não lhe seriam acessíveis num contexto normal, como a aprendizagem de diversas línguas ou as visitas a países distantes através de intercâmbios financiados.

Nas comunidades mais fechadas, no entanto, existe ainda desconfiança no que toca a elementos estrangeiros. Este é afinal um país onde, durante décadas, a cultura nacional foi censurada com o objetivo de reprimir uma identidade coletiva de estado-nação. Como tal, o intercâmbio cultural reaviva fantasmas passados, e é ainda ocasionalmente temido como uma tentativa de conquista cultural do país.

* Telmo Romeu Simões, natural de Ourém, cresceu entretido com jogos de computador de espadas e magia. O gosto por ciência e história que nele criaram resultou, no entanto, em estudos humanísticos, tendo-se licenciado em Relações Internacionais pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 2014. Nos tempos livres escreveu para a publicação online Espalha-Factos sobre música. Após o mestrado em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa participa num programa de Serviço Voluntário Europeu em Sumy, na Ucrânia, retratado neste documento.

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