MENU FECHAR

Portugal: postal literário da década de 1910

A Lua Eléctrica gosta de viajar no tempo e achamos que não há melhor máquina do tempo do que um livro. Levamos todos os leitores que nos seguem numa viagem pelo século XX literário português. Começamos pela década de 1910. Boas viagens no tempo!

Nos próximos tempos trazemos um postal de cada década do último século e uma lista de livros que pode descarregar e ler de forma gratuita no acervo digital da Biblioteca Nacional, em http://purl.pt/index/geral/date/PT/index.html

Década de 1910

Década marcada pelo advento da I República e pela I Guerra Mundial. Emigração (essencialmente para o Brasil e Estados Unidos da América), guerra e epidemias foram factores determinantes no contexto social, bem como o grande fluxo migratório para Lisboa e Porto.

A década de 10 foi dominada pelos grandes latifundiários, bem como pelos novos ricos. Fazia-se sentir a falta de ferro e carvão, surgiram os comboios, e as estradas caracterizavam-se pelas más condições. Em 1911, 78% das mulheres eram analfabetas, vulneráveis ao conservadorismo da mensagem católica.

O panorama político ficou marcado pelo Sidonismo, pelo advento da “monarquia do norte”, e pelas constantes greves e atentados à bomba. Reinava o ódio social e a instabilidade. A especulação gerava lucro, no contexto da guerra. Facções anarquistas organizavam conferências, e escreviam panfletos. Assistiu-se ao fim da carbonária e à cisão da maçonaria.

Uma facção reaccionária (monárquica) dominava os bancos, retirando margem de governação a uma pequena e média burguesia que tentava prolongar o sonho republicano, que muitos denominavam de “castelo no ar”.

 Na literatura, este é o tempo dos primeiros passos do modernismo em Portugal, liderado por Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Santa-Rita Pintor. Vigoravam também as correntes do historicismo, do simbolismo e do Integralismo Lusitano.

Foram fundadas as revistas “A Águia” e “Renascença Portuguesa”.  Fazia-se notar também alguma descoordenação estética e doutrinária, na confluência de elementos tão díspares como o positivismo e o transcendentalismo.

Os livros que nos fazem viajar pela década:

1 –  Em tempo de guerra: aos soldados e às mulheres do meu país – Ana Castro Osório, 1918. Autora feminista, envolvida com a República, defensora dos direitos civis

2 – Revista “A Águia”, nº 1, 1910

3 – “Constituição política da República Portuguesa”, 1911

4 – “Indícios de oiro”, Mário de Sá-Carneiro (1913)

5 – “Cadernos de notas de Fernando Pessoa”

Fonte das imagens: Biblioteca Nacional de Portugal

Share your thoughts