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Os livros e acontecimentos que inspiraram Game of Thrones

Estamos no ocaso de uma das séries mais queridas das nossas vidas. Nunca uma série de televisão terá sido tão consensual à escala planetária como Game of Thrones. O penúltimo episódio da oitava temporada, The Bells, teve, segundo a HBO, perto de 19 milhões de espectadores.


A série tem, desde a sua sexta temporada, criado um caminho independente em relação aos livros de George RR Martin, o que não tem agradado a uma larga facção de fãs, porventura mais puristas. Muitos exigiram recentemente a reescrita da última temporada, descontentes com o trabalho de David Benioff e D.B. Weiss.


No momento em que escrevemos este artigo não sabemos ainda o que nos reserva o último episódio de sempre da série, mas podemos falar nas fontes históricas e literárias que serviram de inspiração aos cinco livros da saga até agora escritos.

O Senhor dos anéis – J. R. R. Tolkien

A trilogia de Tolkien parece-nos talvez a influência mais evidente de George R. R. Martin, pelo arco narrativo da saga, a ambiência medieval e a constante tensão gerada pelo xadrez político na luta pelo domínio. A espaços, a obra de Tolkien parece-nos talvez mais maniqueísta, na sua clara divisão entre bem e mal, mas inspirou sem dúvida a construcção do tabuleiro inicial de forças.
O próprio George RR Martin confessou que se sentiu inspirado pelo facto de haver no início da obra de Tolkien um grupo de personagens reunido que acaba por se dispersar, gerando cada uma delas um percurso independente até ao ponto de uma nova convergência no final do arco narrativo. Qualquer semelhança com o caminho do clã Stark não é, portanto, pura coincidência.

O Rei de Ferro – Maurice Druon

A influência mais forte da saga, conforme também admitiu George RR Martin. Um reino em convulsão, dividido por lutas de poder, intrigas e guerras internas. Segundo George RR Martin, tanto Stark como Lannister corariam de vergonha perante a violência que perpassa pelas páginas de Maurice Druon, que é, segundo o mesmo, o melhor romancista histórico desde Alexandre Dumas.

Os senhores do norte – Bernard Cornwell

George RR Martin sempre admitiu ter recebido influências na sua escrita por parte de romancistas históricos mais clássicos, ou antigos, mas também da parte de autores contemporâneos, nos quais se inclui Cornwell.
O exemplo que aqui escolhemos fala-nos da viagem do herói, no sentido clássico de escrita, que se vê despojado da sua família, das suas legítimas pretensões ao poder, para partir em busca de redenção. Lembra-vos alguém? Alguém que sempre foi desconsiderado pela sua posição de filho bastardo, andou para lá das fronteiras da morte, empreendeu uma epopeia pessoal e voltou com as suas aspirações ao trono legitimadas?

Duas irmãs, um rei – Philippa Gregory

A vertigem assassina, tão sórdida como sensual, profundamente violenta, da corte de Henrique VIII, seria sempre uma influência mais ou menos óbvia. George RR Martin nunca se preocupou sequer em escondê-la.
Philippa Gregory é uma das tais autoras contemporâneas de romances históricos várias vezes elencada na lista de preferências do autor.

Os episódios históricos

A Guerra das rosas

A disputa pelo trono de Inglaterra que teve lugar entre 1455 e 1485, entre as famílias York e Lancaster. Reis de apetências sádicas, rainhas manipuladoras e vingativas, filhos ilegítimos, e um mar infinito de golpes palacianos, vingança e violência. Os ingredientes deste episódio real parecem ter transmigrado com naturalidade para a ficção.

Black Dinner

Escócia, Novembro de 1440. Assustado com o crescente carisma do clã Douglas, Sir William Crichton, chanceler do Rei James II da Escócia, convida os irmãos Earl of Douglas de 16 anos, e David, de 10 anos para um jantar no castelo de Edimburgo. A meio da ceia, que decorria placidamente, é servida uma cabeça de touro preto, símbolo do clã Douglas. Os irmãos Earl e David são trazidos para o exterior e decapitados. Lembra-vos algum episódio em particular?

A muralha de Adriano

Concluída em 122, esta fortificação foi erigida como forma de defesa do império romano contra as tribos dos Pictos e dos Escotos, sensivelmente onde hoje se situa a fronteira entre Inglaterra e Escócia. Separava romanos de bárbaros e é mais ou menos notória a semelhança com a muralha do Norte que separa os sete reinos das tribos selvagens e do exército dos mortos, em Game of thrones.

Império Mongol

Nos séculos XIII e XIV a Europa viveu momentos dramáticos, assolada pela invasão de uma tribo impiedosa, de guerreiros em profunda harmonia com os seus cavalos, rápidos e mortíferos, com uma capacidade de assalto instantânea que dificultava qualquer tipo de defesa organizada. O seu líder, Genghis Khan, passaria a povoar o imaginário de escritores, historiadores, lendas e mitos. Terá certamente entrado na imaginação de George RR Martin no momento de conceber a personagem de Khal Drogo e dos seus temíveis Dothraki.

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