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As 5 maiores histórias de amor em livros

Histórias de amor que venceram o tempo. Livros que nos fazem sonhar e renovam a nossa crença na magia da literatura. Quantas histórias de amor já vivemos como leitores?

5 – Dona Flor e os seus dois maridos – Jorge Amado

Pela dimensão humana, tão chegada aos afectos, e pela evocação das pequenas e grandes contradições humanas, “Dona Flor e os seus dois maridos” permanece como um dos romances mais enternecedores do mestre Jorge Amado.
Desta celebração literária fica-nos um gosto a praia e areais, a pratos e cheiros, a música, ao tabaco e reboliço das casas de jogo. Este livro tem carnaval, luares, amor carnal mas também afectuoso. E traz-nos um perfume dos anos 20 e 30.
Jorge Amado é senhor de um tom picaresco, bem-humorado, mas sempre sublime e apaixonado. Dele podemos esperar frases como “Ele era um fode-mansinho”. As personagens vão do mesquinho à grandeza. São humanas até ao núcleo.
E este livro é uma odisseia, a própria viagem do amor: o sofrimento, a perda, a paz, o reencontro do desejo. As noites são tranquilas, o ar é quente e traz sonhos, tangos, serenatas. Mas há também chuva e tempestades. Ah, sim. E magia, muita magia. A ligação entre os vivos e os mortos, cimentada pela única energia que nunca perece: o amor.

4 – Breakfast at Tiffany´s – Truman Capote

Também conhecido em Portugal como “Boneca de Luxo”, este romance foi tão perfeitamente cinzelado que se tornou ele próprio uma instituição da cultura popular do século XX.
A sua influência chegou ao cinema, à música, à fotografia. Diz-se que há uma forte componente biográfica na história concebida por Capote. Para o autor, e como sabemos por outros dos seus romances, a literatura nunca é apenas um pedaço de ficção, mas um híbrido rico de realidade, arte, poesia, documentário e ficção.
O livro segue a vida de Holly Golightly, personagem inesquecível, mulher jovem, que chegou da província a Nova Iorque, e está apixonada pela cidade, pelas pessoas, pelas possibilidades, pela vida.
Através da sua alegria inocente, das suas ilusões, viajamos pelos anos 40 e voltamos a acreditar em todas as possibilidades. Os livros fazem-nos isto. Tornamos a acreditar. Voltamos a amar.

3 – O grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

“O Grande Gatsby” é A história de amor da literatura, por excelência, com o que de mais poderoso, elementar e ancestral podemos encontrar nisso. Aqui estão os “roaring 20’s”, com os seus códigos, o seu estilo, a sua roupa, os seus carros, a sua música. Tal como os sonhámos. Gatsby furou a vida, como “self made man”, para alcançar uma mulher que não pertencia ao seu mundo. Toda a literatura mora aqui. Toda a literatura é celebrada neste livro. Gatsby fez a sua Odisseia, nunca foi vencido.
A mulher que ama, só a perde no final. Pela tragédia da frivolidade, do pedantismo. É uma história de amor, mas também um “noir”. Fitzgerald demora a trazer luz sobre o rosto e a alma de Gatsby. Gatsby é também um conde de Monte-Cristo. Gatsby é toda a literatura, toda a vida. Os luares, as flores, a música. A escrita de Fitzgerald é doçura, vibração. O amor em literatura. Gatsby é a tragédia frívola da vida derramada nos sonhos de amor.

2 – Madame Bovary – Gustave Flaubert

Este clássico de Flaubert podia apenas ser um magnífico fresco telúrico. Mas é sempre muito mais, Cada vez que o pensamos melhor, há outro livro a sair do mesmo livro, em metamorfose. Ao mesmo tempo profundamente romântico e exasperado, é picaresco e satírico.
Traz-nos uma sociedade em mudança, em conflito, cheia de sombras, enganos, zonas falsas. Madame Bovary é um símbolo de todos os seres, de todas as almas que não cabem no seu tempo, no seu lugar, no seu papel.
A sua imaginação, o seu desejo, transcendem-na e aceleram o seu percurso até à tragédia. Todas as personagens do livro, de forma mais ou menos consciente, condenam Bovary à tragédia.
Há nisso um requinte de malvadez, um sadismo social, que Flaubert captou com génio. A sua escrita, trabalhada, apurada, faz dele um pintor de pensamentos, de estados de espírito, do imaterial.
E há sempre um conflito entre o grande e o pequeno plano, entre a claustrofobia e a agorafobia, numa metáfora ardente da tensão entre o social e o emocional, entre desejo e realidade. Os livros ensinaram Bovary a voar, a sonhar. Ela conquistou o mundo assim… mas ele era opaco.

1 – Anna Karenina – Lev Tolstoi

Por muitos considerado o maior romance de sempre, “Anna Karenina” continua a apaixonar-nos. Permanece uma obra misteriosa, cheia de segredos e novas leituras. A sua tensão é a dança entre o atávico e o moderno, entre o eterno e o efémero, entre o amor e o tempo, entre o sonho e a realidade. Tolstoi domina todas as dimensões da escrita e da literatura. Nas entrelinhas da sua realidade obsessivamente nítida, vívida, mora a alma, o reino interior. Ele faz-nos lembrar que tudo o que não sabemos nomear é também tudo o que importa. Tolstoi recorda-nos que a literatura é magia.
A viagem de Anna, a sua provação, a sua tragédia, insinua-se a pouco e pouco no leitor. Agarra-se a ele, funde-se, até percebermos que essa viagem é também a nossa. E aí, já é tarde para julgarmos, já não há lugar à culpa. O amor é a nossa grande viagem sem regressos. Perdemo-nos nele, perdemo-nos num livro.

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