5 livros poderosos sobre o problema do racismo

Marcha pelos Direitos Civis em Washington, 1963, Leffler, Warren K. Imagem: Library of Congress

Queremos assinalar o terrível ambiente de tensão social e política – particularmente nos Estados Unidos, mas com manifestações de solidariedade globais – provocado pela morte de George Floyd às mãos de um agente da polícia de Minneapolis.


A Lua Eléctrica assume a sua posição de solidariedade para com todas as lutas pela conquista de Direitos Civis. Por uma sociedade que proteja todos os cidadãos, independentemente da sua raça, género e orientação sexual.


Contra o racismo, contra a homofobia, pelos Direitos das Mulheres, proclamamos também o poder dos livros e da literatura, que achamos capazes de mudar consciências e mentalidades, de nos aproximar.


Apresentamos um pequeno grupo de livros, com enfoque especial na questão racial, entre ficção e não ficção, entre clássicos e novidades, porque o racismo persiste e é um problema de todos!


Até ao dia em que finalmente se desvaneça, que encontre sempre pela frente a persistência activa das nossas consciências, porque é dentro de cada um nós que o mundo muda!

5 – Why i’m no longer talking to white people about race – Reni Eddo-Lodge

Surpreendida com o sucesso de um post no seu blog, a premiada jornalista Reni Eddo-Lodge decidiu avançar para a publicação de um livro que está hoje nos primeiros lugares dos tops de venda das principais cadeias livreiras americanas e do Reino Unido.


A partir do sentimento de frustração pela forma como o problema racial é discutido na esfera pública, no Reino Unido, construiu um documento poderoso que desmonta a artificialidade lesiva do discurso das classes dominantes e dos principais meios de comunicação. O livro trata também a relação aparentemente inexpugnável entre raça e classe social e as dificuldades de comunicação que persistem e perpetuam, de forma sistemática e deliberada, as injustiças que continuam a minar qualquer possibilidade de paz e estabilidade social.


Pelo caminho retrata a história da luta da população negra por Direitos Civis, infelizmente mais actual do que nunca. Científico mas empático, poderoso e certeiro. E incómodo, como qualquer bom livro!

4 – So you want to talk about race – Ijeoma Oluo

A grande maioria das impressões em torno deste “best seller” de Ijeoma Oluo refere-se à forma empática, quase delicada, com que retrata questões sensíveis e que continuam a estar na origem das tensões sociais na questão racial.


Um tratado simples sobre as grandes questões actuais, dos supremacistas brancos à brutalidade policial, dos privilégios à ausência de oportunidades. E sobretudo a forma como continuamos a testemunhar um discurso normalizado que é ofensivo e no seu núcleo, racista.


Subtil, delicado mas incisivo, é um livro que nos obriga a olhar para dentro de cada um de nós e a desconstruir tudo o que nos habituámos a tratar com condescendência. Um passo para a mudança individual e comum.

3 – Se o disseres na montanha – James Baldwin

Considerado por muitos um dos melhores livros em língua inglesa do século XX, este livro conta a vida de um adolescente negro, John Grimes, no bairro Nova-Iorquino do Harlem, na década de 1930.


A cadência poética profunda da escrita de Baldwin, bem como um apuradíssimo sentido literário, contribuem para a construção deste edifício narrativo que analisa a relação entre culpa e identidade, com o preconceito racial enquanto cenário omnipresente.


Personagens fortes, nunca caricaturizadas, sempre humanizadas num contexto de enormes dificuldades e desafios. Do íntimo ao universal, como só um punhado de grandes obras consegue.

2 – Vai e põe uma sentinela – Harper Lee

O grande acontecimento literário da última década foi a descoberta deste manuscrito de Harper Lee, já falecida, mas sobretudo a revelação de que esta obra é anterior e serviu de base à sua obra clássica, “Mataram a cotovia”, vencedora do Pulitzer.


Os grandes temas da sua obra de maior renome formam igualmente os alicerces desta narrativa: o preconceito racial na América profunda, no discurso e no comportamento dos que nos são próximos, mas sobretudo dentro de nós próprios.


Intrusivo, incómodo, coloca-nos a alma ao espelho, ainda que nem sempre possamos gostar do que vemos. Um clássico que atravessou um século para nos falar aos ouvidos e tocar a consciência.

1 – A estrada subterrânea – Colson Whitehead

Vencedor do Pulitzer para ficção, em 2017, “A estrada subterrânea” contém os ingredientes que dão às grandes obras o ADN e o estatuto de clássico.
Esta obra é a crónica da fuga de um casal de escravos dos campos da Georgia para a o norte dos Estados Unidos da América, rumo à liberdade, através de um complexo circuito ferroviário clandestino, túneis e diversos abrigos.


Labiríntico, claustrofóbico, o livro de Whitehead tem sobretudo o condão de nos fazer experienciar o medo e o terror de todos os que sofreram a tragédia da escravatura. Mas mais importante ainda, deixa no ar o sentimento inquietante de que os dias de medo nunca terminaram verdadeiramente.

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