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5 livros para sonhar com um mundo melhor

Num tempo de incertezas e ameaças, que muitos julgariam mais próprio do universo literário, existem livros que nos ensinam a sonhar com um tempo construído, com lugares melhores, onde a nossa realidade parece transfigurada para uma ideia de felicidade.
Até uma distopia traz em si a semente de uma utopia, de um recomeço, e os livros podem muito bem ser portais para um mundo melhor. Hoje falamos de livros que encerram em si uma ideia de esperança, porque os dias maus podem trazer pistas para dias melhores.
Como sempre, está (quase) tudo nos livros. Boas leituras!

5 – Walden, ou a vida nos bosques – Henry David Thoreau

Publicado em 1854, o livro de Thoreau traduz uma experiência de reclusão e isolamento numa floresta no interior dos Estados Unidos.
Afastado do ritmo e dos códigos da civilização e da vida normal em sociedade, Thoreau descreve uma aproximação gradual aos códigos da natureza e da vida selvagem.
No caminho, desmonta a roupagem de um estilo de vida que pode muito bem ter desviado a humanidade da verdade e da harmonia. Uma apologia da simplicidade, do silêncio.
Um livro que nos ensina a ver e a escutar de novo.

4 – Horizonte perdido – James Hilton

Fundador do mito de Shangri-La, uma povoação escondida no Tibete que viria a povoar o imaginário ocidental nas décadas seguintes, este livro é um jogo de espelhos para as deformações do nosso edifício social.
Ambientado no período que separa as duas guerras mundiais, narra a história de um grupo de quatro pessoas, incluindo um vice-cônsul britânico, obrigadas a permanecer numa comunidade utópica perdida no interior das montanhas da Ásia.
Durante a sua estadia forçada, vão interiorizando um modo de vida em tudo oposto ao que conhecem e que os obriga a questionar o curso da história e o núcleo dos seus próprios valores e anseios. Um olhar para dentro de nós próprios, onde perante a visão da verdade e da beleza descobrimos, por contraste, o que não somos e o que verdadeiramente nos falta.

3 – Os despojados – Ursula K. Le Guin

Construído como um livro de ficção científica, “Os despojados” conta a história de um homem que tenta unir dois planetas há muito separados por cisões históricas e ideológicas.
O que rapidamente percebemos é que a arquitectura ficcional de Ursula Le Guin é no fundo uma enorme metáfora da história universal contemporânea.
Longe de uma reflexão maniqueísta, ou simplista, diversos paradigmas políticos desfilam pelas páginas do livro, do anarquismo ao capitalismo, do liberalismo ao socialismo.
A virtude da escrita de Le Guin é nunca cair na facilidade de classificar como “bom” ou “mau” nenhum dos sistemas em jogo, mas antes colocar a nu as suas fragilidades e paradoxos, sob a ideia de descobrir não tanto as suas diferenças mas mais o que deles se pode retirar para uma ideia comum de felicidade.

2- Estação Onze – Emily St. John Mandel

O premiado livro de Emily Mandel é talvez o que de toda esta lista nos pode parecer mais familiar.
Publicado em 2014, descreve o cenário de um mundo devastado por um estranho vírus, onde diversas personagens se debatem pela sobrevivência.
Mas a luta destas personagens, mais do que a azáfama pela sobrevivência material, centra-se numa batalha pela preservação do património espiritual da humanidade.
Num tom melancólico, feérico e muito visual, a obra de Emily Mandel lembra-nos do que realmente importa. Para não nos esquecermos de defender a espuma da criação humana: a arte, a beleza, o sublime.

1 – A Ilha – Aldous Huxley

O último livro de Aldous Huxley, considerado também uma das suas obras mais subestimadas, pode ser considerado tanto uma utopia como um livro de desencanto.
Ambientado numa ilha esquecida no pacífico, narra a história de um jornalista cínico que chega a este paraíso com o intuito de o estudar e praparar para a exploração industrial dos seus recursos naturais.
Depressa, o cinismo desta personagem dá lugar à revelação de que o lugar onde se encontra tem atributos mais valiosos do que o petróleo: um entendimento puro do que de mais valioso a vida pode conter e uma ideia simples de valorização do tempo e da existência.
Apesar de ser um relato utópico, este livro é sobretudo o espelho da desilusão de quem descobre o quanto nos afastámos da verdade e do sentido de felicidade.

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