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5 Livros de História que tem de conhecer

Se gosta de História tem de conhecer estas obras de referência. Livros de excelentes comunicadores, que lhe darão uma perspectiva profunda do nosso percurso enquanto civilização.

As nossas sugestões envolvem livros muito diferentes entre si. Em termos de escolas e correntes de pensamento, e no estilo académico e até literário de cada autor. Tivemos o cuidado de escolher um livro para cada época de história, para que este grupo de leituras tenha uma ideia de conjunto e envolva praticamente todas as etapas da história humana, da Pré-história à História Contemporânea. Boas leituras!

5 – Hiroshima, de John Hersey

“Hiroshima” pode não ser o mais óbvio dos ensaios em torno da história contemporânea, mas é seguramente um livro brilhante que nos mostra um ponto específico da nossa era, muito representativo do estilhaçar dos sonhos de paz e progresso que o desenvolvimento industrial parecia prometer aos homens e mulheres do século XX. Um mestre do cruzamento entre literatura e jornalismo, John Hersey cobriu na qualidade de repórter a Segunda Guerra Mundial e foi um dos representantes do movimento do “Novo Jornalismo”. Este seu ensaio foi originalmente pensado como um texto jornalístico para o “The New Yorker”, mas o lendário editor Alfred Knopf acabou por publicá-lo na forma de um livro. Acompanhando a história de seis sobreviventes da bomba atómica que marcou o fim da Segunda Guerra, Hersey compõe um mosaico humano e emotivo que nos traz uma forma diferente de fazer história, tocando simultaneamente nos polos opostos mais tenebrosos e ao mais tempo mais portadores de esperança naquilo que significa a grande aventura da história, e a grande aventura humana.

4 – Os Americanos – A experiência colonial, de Daniel J. Boorstin

Historiador americano de enorme reputação, Daniel J. Boorstin foi nomeado, por consenso em torno do seu legado intelectual, Bibliotecário da Biblioteca do Congresso. Boorstin foi um pensador isento e independente, que valorizava uma visão ampla e contínua da história, em detrimento de uma historiografia de grandes rupturas, e escrita em função de ideologias políticas. As obras de Boorstin são normalmente ensaios de grande fôlego e horizontes longínquos, de perspectivas abrangentes. Nesta obra, o autor aborda um dos grandes acontecimentos da história moderna, e porventura um dos mais decisivos: o início da civilização americana. Através da escrita fluida, acessível, de Boorstin, podemos acompanhar a inspiradora aventura dos primeiros colonos, na vertente ideológica e pragmática, pejada de sonhos e utopias, com que os pioneiros fundaram os alicerces de uma civilização que hoje determina os principais trâmites e comportamentos do mundo ocidental.

3 – O Tempo das Catedrais – A arte e a sociedade – 980-1420, de Georges Duby

Membro da Academia Francesa, intelectual de referência e um historiador medieval incontornável, Geoges Duby foi um exemplo paradigmático no cruzamento da história com outras ciências sociais, com vista ao desenvolvimento de um entendimento mais integrado e profundo da aventura humana. Superando uma historiografia demasiado positivista, que afastava o grande público das descobertas e da divulgação científica e académica, Duby foi precursor e executante de uma História das Mentalidades, que releva o substracto mental, espiritual e artístico nos caminhos da história. Nesta obra de referência, Duby conduz-nos ao entendimento da Idade Média através da mais sublime expressão do espírito humano: a arte e as suas manifestações, enquanto espelho das angústias, sonhos e aspirações da humanidade.

2 – SPQR – Uma História da Roma Antiga, de Mary Beard

Professora de Estudos Clássicos na Universidade de Cambridge, Mary Beard é frequentemente apontada como uma personalidade acessível embora erudita, muito vocacionada para a divulgação histórica e científica ao grande público. Nesta obra, descreve o percurso evolutivo de uma pequena comunidade da Idade do Ferro rumo à construção do maior império da antiguidade, que viria igualmente a estabelecer o ADN ideológico, filosófico, artístico e material da civilização ocidental: Roma. A sua atenção à vertente humana da sociedade e não apenas aos aspectos materiais e económicos da civilização, bem como um talento inato para a comunicação, fazem da obra desta autora uma excelente porta de entrada para a compreensão da antiguidade clássica enquanto etapa crucial da história.

1  – As Religiões da Pré-História, de Andre Leroi-Gourhan

Arqueólogo, antropólogo e investigador científico, Leroi-Gourhan, foi distinguido com a Medalha da Resistência, pela Legião de Honra. Foi professor na Sorbonne, investigador no British Museum e foi também agraciado com a Medalha de Ouro pelo Centro Nacional de Investigação Científica de França. Citado e estudado por Jacques Derrida e Gilles Deleuze, o seu trabalho cruzou sempre uma vertente técnica e científica com um substracto filosófico e sociológico. Estabeleceu como ninguém a relação entre meio ambiente, desenvolvimento técnico e evolução humana, permitindo-nos conhecer e reflectir sobre os primeiros passos da nossa espécie, rumo à complexa construção tecnológica e civilizacional. A sua obra convoca noções de comunicação, neurologia, história e arte, num entendimento completo e integrado do homem e da sua relação com os desafios do mundo.

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