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10 Livros para as longas horas do Inverno

10 Livros de Inverno – Para ler de chávena quente na mão, à lareira

Histórias quentes em cenários frios. A combinação certa de clássicos, policiais, romances de amor e enigmas históricos, com muita neve à mistura, para nos aquecer nas longas horas de Inverno. Boas leituras!

10 – Orhan Pamuk – Neve – Vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2006, Orhan Pamuk,  apresenta-nos em “Neve” um romance político e social previdente e apontado aos principais focos de ebulição dos nossos dias, apesar de ter sido escrito antes do 11 de Setembro. A cidade ficcional de “Kars” (a palavra turca para neve é “Kar”) torna-se palco de uma vaga de suicídios de raparigas adolescentes, que encobre uma série de confrontos latentes entre o passado e o futuro, entre extremismo islâmico e o apelo progressivo ocidental, entre religião e sociedade, num tom feérico e hipnótico. Um romance denso, brilhante, que nos ajuda a decifrar o nosso mundo e o nosso tempo, tal como deve fazer a boa literatura.

9 – Stephen King – The Shinning – O mestre do Suspense Stephen King assina em “The Shinning” um verdadeiro clássico de terror. Talvez a grande obra-prima do autor, “The Shinning” é rigorosamente impossível de largar até à última página, enquanto assistimos à transformação psicológica, homicida, de Jack Torrance, enclausurado e isolado com a família no Hotel Overlook, durante um longo inverno. Símbolo máximo dos livros de terror, “The Shinning” é também a obra de Stephen King de maior alcance e de mais sólido substrato literário.

8 – Lev Tolstoi – Anna Karénina – Escrito nos finais do século XIX em torno de um caso de adultério na alta aristocracia russa, o intenso roteiro sentimental de Anna, que somos convidados a testemunhar, é também um tratado ancestral do confronto entre o desejo humano e a moral vigente. É uma viagem ao interior das nossas contradições e dilemas. Sendo uma das obras-primas da literatura mundial, talvez nunca um livro tenha fundido de forma tão virtuosa um romance emocional com uma estética realista. Vibrante, apaixonante até às últimas páginas, esta história de amor trágica em paisagens frias promete cativar qualquer leitor.

7 – Charlotte Brontë – Jane Eyre Construído quase como a narração contínua de uma voz interior, este livro leva-nos igualmente pela paisagem emocional humana, turbulenta, da personagem principal. Não existem eventos normais na vida de quem descobre o amor, e até os acontecimentos mais triviais se revestem de intensidade. Romântico, confessional, é também um livro profundamente realista na descrição de como os sentimentos humanos esbarram muitas vezes nas paredes morais e sociais. É um romance seminal e pioneiro na apresentação íntima de preceitos sentimentais e sexuais, numa perspectiva feminina, e talvez feminista, mas profundamente universal. O cenário invernal do norte de Inglaterra parece acentuar o carácter turbulento de um livro que promete fazer-nos sonhar e sentir cada palavra, cada emoção.

6 – Charles Dickens – Tempos Difíceis – De estética industrial e situado numa cinzenta cidade do Norte de Inglaterra, uma das mais pequenas e fluidas obras de Dickens é também um verdadeiro tratado sobre a condição humana. A desigualdade de classes decorrente da Revolução Industrial revela-se com esplendor no turbilhão moral aqui desenhado. O universo romanesco de Dickens coloca-nos perante a realidade crua de sermos reduzidos apenas à nossa vertente produtiva e laboral. Simultaneamente espiritual, moral e político, continua a ser um livro actual para quem questione o défice espiritual da civilização que construímos. As perguntas que levanta mantêm-se, o que faz desta obra um vibrante clássico da literatura universal. Uma obra de intensidade simbólica, humanizante e íntegra.

5 – Camilla Lackberg – A princesa de gelo – Camilla Lackberg é porventura o maior símbolo da nova literatura policial nórdica e a escritora mais bem sucedida dessa vaga. Alguns críticos não hesitam em classificá-la como a grande herdeira literária de Agatha Christie e cada livro seu conhece imediatamente dezenas de traduções, com vendas de exemplares na ordem dos milhões. Nesta sua obra, uma das mais emblemáticas da sua carreira como escritora, Lackberg leva-nos ao coração da sociedade sueca, desvendando o labirinto dos seus segredos, mal escondidos atrás de uma rígida e aparente pacatez. A personagem Erica Falck decide regressar por um período de tempo à sua cidade natal no litoral sueco, mas o que previa ser uma curta estadia revela-se uma perigosa incursão nas memórias ocultas e no passado de algumas famílias locais.

4 – Jack London – O apelo da selva – Figura maior que a sua própria vida, Jack London dedicou a carreira à aventura e à escrita. Foi escritor, jornalista, editor e aventureiro. Grande cronista da batalha do homem contra as fronteiras naturais e sociais do sonho americano, tornou-se ele mesmo um mito dessa jornada heroica que ergueu os alicerces de uma nação em crescimento. Nesta obra, que continua a invocar o imaginário de leitores e leitoras de todas as idades, a personagem central é um cão chamado Buck, que na paisagem inóspita do Alasca se vê obrigado a deixar emergir os seus instintos ancestrais rumo à sobrevivência. Um clássico da literatura de aventuras, comovente e vívido, que apela à força e à coragem de cada leitor que decida abraçar as suas páginas.

3 – Umberto Eco – O nome da Rosa – Figura incontornável da cultura ocidental contemporânea, artífice da palavra escrita e da investigação histórica e sociológical, Umberto Eco concretiza em “O nome da Rosa” a sua obra mais popular e carismática. Verdadeira declaração de amor à importância dos livros e da leitura, e ao carácter subversivo do conhecimento, “O Nome da Rosa” é porventura um dos mais bem construídos thrillers históricos da história da literatura. Num mosteiro do norte de Itália, no século XIV, um experiente monge beneditino e o seu aprendiz deparam-se com uma série de mortes misteriosas. A resolução dos crimes irá levá-los a desafiar os próprios preceitos da igreja (numa altura muito perigosa para fazê-lo, dada a ameaça da Inquisição) e em última análise os valores basilares da nossa civilização.

2 – Mary Shelley – Frankenstein – Obra de difícil caracterização, “Frankenstein” é sob muitos pontos de vista um dos mais importantes clássicos da literatura mundial. Imaginado e escrito numas férias na Suiça, na companhia do seu marido, Percy Shelley e de Lord Byron, “Frankenstein” perdura como um desafio ao establishment intelectual, científico e literário do século XIX e preserva ainda hoje esse mesmo carácter desafiador. Escrito antes de mais por uma mulher, numa altura em que a produção intelectual e científica era monopólio de homens, a obra é simultaneamente um debate científico em torno do polémico e fascinante conceito de galvanismo, um romance gótico e uma inesquecível história de amor. “Frankenstein”, grotesca figura composta por partes de corpos, é igualmente feito da mesma matéria literária que perdura e que inscreve os grandes livros nos corações dos seus  leitores.

1 – Gogol – Almas Mortas – Verdadeira viagem ao coração inóspito da paisagem russa, no final do período feudal que se prolongou até inícios do século XIX, “Almas Mortas” é também uma incursão pelo território da consciência e da alma humana. Se as “Almas Mortas” a que o título se refere constituem na realidade os títulos de propriedade de servos humanos, podemos entender essas mesmas almas no sentido figurado, o da miséria e submissão humana num sistema político em declínio. Ao longo do seu estranho empreendimento, o de adquirir servos mortos que permanecem nos registos burocráticos dos grandes senhores feudais, a personagem Chichikov vai-nos mostrando as incongruências e a paisagem surreal de um país em vésperas de uma convulsão social e cultural. Utópico, sonhador, engenhoso, “Almas Mortas” permanece como um clássico brilhante da literatura russa e universal.

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